Coluna de Geovane Braga - Parte 1

Postado por Lucas Schultheiss Monteiro On 05:21

O Brasil das artes importadas e da cena carnavalesca tipicamente nacional.



"O teatro caminhava entre o proibido e o permitido como sobre um fio suspenso no ar".
Décio de Almeida Prado


A única manifestação tipicamente brasileira desenvolvida pela comunidade tupiniquim pode ser percebida no mês de fevereiro, pois é nesse período que visualizamos a maior festa popular do nosso pais que é chamada de Carnaval ou classificada para alguns como festa da carne. No entanto, respeitaremos essa manifestação popular que realmente vem demonstrar os traços das comunidades brasileiras.

No carnaval as comunidades exteriorizam seus talentos e direcionam suas criatividades para as performances desenvolvidas nas avenidas. Deve-se, afirmar que nem o teatro brasileiro foi construído através de uma visão nacional. Diante do fato, veremos como as artes cênicas se estabeleceram no território nacional. Externaremos um pouco de historicidade.

Sendo assim, durante todo o processo de desenvolvimento cênico do país, sempre estiveram presentes as influências dos europeus que divulgaram suas manifestações culturais e artísticas para o povo brasileiro. Na época do descobrimento, houve a mistura com traços étnicos indígenas; o período jesuítico existia uma proposta de aculturação que tinha como base a catequese e o rompimento dos hábitos e costumes dos grupos que aqui estavam. Milson Henriques em seu artigo "Aqui começou o teatro no Brasil. E continua começando..." (HENRIQUES, 2002:108-109), comenta, em tom obviamente irônico:

Por incrível que pareça tudo indica que o teatro brasileiro começou exatamente no nosso amado Estado, o controvertido padre espanhol Jose de Anchieta veio aqui para derrubar os coerentes deuses dos indígenas – o sol, a lua, o vento, a tempestade – e colocar no lugar deles os etéreos deuses dos brancos – anjos, demônios, virgens, santos... O que os nortes-americanos fizeram conosco a partir da invenção do cinema, Anchieta e sua galera fizeram com nossos índios através do teatro: a aculturação, nos autos (peças) religiosos de sua autoria do padre os personagens eram sempre satanás, anjos, santos, ingratidão, temor de Deus pareciam no fundo.

Essas interferências externas em nossos traços culturais são marcas persistentes, ao longo do tempo. Por exemplo, o conflito da 2° Guerra Mundial levou o continente Europeu à destruição e veio confirmar o imperialismo dos EUA e da URSS como grandes potencias mundiais. Isso trouxe as modificações das rotas e dos rumos da geopolítica internacional e lançou para o Brasil uma nova demanda de dólares e uma forte classe artística e elitista o que trouxe impacto para as raízes do teatro brasileiro. Sobre a década, Claudia Braga (2001-2002:135) diz:

A década de 1940 caracterizou-se para o teatro brasileiro, entre outras coisas, pela chegada de inúmeros profissionais europeus que para aqui vieram em busca de, nessas pacificas plagas, refugiarem-se do velho continente, assolado pela segunda guerra mundial. O estabelecimento desses profissionais de teatro no Brasil teve certamente imensa importância para o desenvolvimento da cena no Brasil, sobretudo pela inserção, através deles, de propostas estéticas não muita exploradas no país até então.

... continua na quarta-feira

GEOVANE LEONARDO BRAGA É MESTRE PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO GRADUADO EM COMUNICAÇÃO SOCIAL, ATOR , PROFESSOR UNIVERSITáRIO, DE ENSINO MEDIO E FUNDAMENTAL.

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7 comentários

  1. Anônimo Said,

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    Posted on 24 de novembro de 2010 18:22

     
  2. Anônimo Said,

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    Posted on 19 de março de 2011 17:29

     
  3. Anônimo Said,

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    Posted on 19 de março de 2011 17:31

     
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  7. Anônimo Said,

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